Em conversa com amigos costumo ouvir a expressão “o meu ano foi o primeiro (ano) após a reforma curricular”.
Podendo substituir, sem prejuízo da mesma, a palavra curricular por outra de igual valor e repetida utilização, reparamos que todos nós experimentámos ou conhecemos alguém que tem este sentimento de excepcionalidade que nos invade quando debatemos assuntos relativos ao nosso sistema de ensino.
O desafio é, no entanto, oposto ao apregoado. Não consigo indiciar sujeito cuja idade esteja compreendida entre os 18 e 30 anos que sinta que o seu projecto educativo fosse herança de anos anteriores.
Carga horária, matéria leccionada, métodos de ensino, equipamento escolar, invasão dos tempos extracurriculares.. São inúmeros exemplos do que é efémero e muda consoante vontades mais altas que não chegam aos anjos mas desejam tornar-se deuses temporais.
Consequência prática – a minha cunhada tinha umas 5 áreas por onde escolher no secundário, a minha prima teve de aturar um professor “especialíssimo” em educação/desordenação sexual e o meu cunhado nem sabe o que é um “Walkman”. Ok, esta última faz-me sentir velho e não está relacionada com a educação.
Falta agora descobrir se este novo estatuto de estudante e a cor do horto gráfico serão modas passageiras ou algo estruturante. Eu coloco as minhas fichas na 1ª hipótese.